domingo, 7 de outubro de 2012

Marte

Abri mão de minhas armas
querido marte
e é assim que me recebes? Aniquilando meu amor.
É assim Marte, que se faz a glória?
Foda-se a sua glória. É no estômago que sinto sua dor e em meu pau
latejando a sua ausência
Marte, quantas mortes serão necessárias para você entender que te amo?
Quantos sonhos inacabados e quantas lembranças doloridas poderão iludir nosso trágico destino?

A lembrança de tuas ancas dilacera minhas ilusões de dias tranqüilos
Marte, as criancinhas já não são tão inocentes
elas se embriagam em festas de família e seus pupilos dão o cu em becos sujos para cafajestes recalcados
Marte, fudeu tudo e só agora, quando mais dependo de você, é que me diz que acabou tudo?
Vá a merda com sua filosofia holística, ao caralho com sua religião tábua de salva vidas
Eu quero é ver meu espirito em gozo celestial, nosso espirito em êxtase copulando na sacristia decadente dos puristas
Marte marte, senhor da guerra
Você tinha que ser tão incisivo
tão impiedoso?

quinta-feira, 20 de setembro de 2012


Duas da manhã e o álcool queima ainda mais em meu juízo volátil. Dormir é uma coisa desesperadamente absurda e não há absolutamente nada pra fazer nessa cidade deserta e moribunda. Entendo agora o suplício dos loucos ao despontar da lua no horizonte e a libido insaciável dos maníacos. Entendo a febre espreitando como sombra a inquietude dissonante da noite profunda. A cidade arma seu cenário em um teatro de sombras  e abre suas entranhas para prazeres desconhecidos. Corre a máscara do fauno em mãos vacilantes desenhando sorrisos violentos em lábios inflados de desejos dissimulados e escárnio. Oh como somos todos vítimas dessa tão infinita busca.

sábado, 21 de julho de 2012

Um estranho observa  
Criaturas da noite 
Copulando sob nuvens espessas 
As luzes da cidade 
Derretem no asfalto molhado

sábado, 14 de julho de 2012

Rota de fuga

Sinto um impulso latente
Látex de limão
No calor de seus lábios
Rítmico
Rimos
Tímidos

segunda-feira, 16 de abril de 2012


O brilho em estéreo de seus olhos só enfatizava os lábios fartos, macios e com gosto de café. Foi assim que se conheceram e assim ficaria em suas lembranças.
Caíram ambos em suas armadilhas sutis e delicadamente construídas para os futuros redundantes.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A cidade é um monólogo retalhado; um olhar fragmentado e caótico de uma mosca. Fractais, fragmentos, farelos, elos, eles, a sós, S.O.S em fones de ouvido.

domingo, 30 de outubro de 2011

As 250cc começavam a vibrar no asfalto, vapor de gasolina, borracha quente, vento.
O ponteiro diz: "100 km".
Meus pensamentos se materializam nas faixas amarelas

terça-feira, 23 de agosto de 2011

o começo do novo fim

“Fale sobre coisas alegres, como flores se abrindo ao toque gentil dos primeiros raios de sol”, ela diz, mas só vejo flores se abrindo em agonia entre o abraço apertado de um sol ensandecido.
Em seus olhos minha alegria se dissipa, a realidade toma de assalto meu plano de fuga e as cores voltam-se para si, mostrando seu avesso. Ar denso, quase consigo andar na poeira que sobe no vento morno que arde dentro do pulmão. Solto a fumaça e logo tudo fica dormente... mente... minto... para mim mesmo na mente e para os outros, no sorriso.
Só isso, e tudo gira ou se arrasta, não há outro modo. Deve ser por isso que sinto essa vontade louca de correr, correr até bater na parede, assim, livremente, até a parede deixar de ser parede e eu deixar de ser eu. Aí então começa tudo. O fim toma a palavra e diz: “agora que já não resta mais nada, que tal reinventarmos tudo?”. O fim está louco, mas ninguém fala nada porque, no fundo, é essa loucura que faz o começo do novo.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Antes me amanheça

Antes me amanheça
com seus lábios entreabertos e olhar lascivo
Pelos entre pelos, doce
como o orgasmo de uma flor
Sua flor
como que coberta por um delicado orvalho
Perfume que mascaro entre a língua e os lábios

Antes me amanheça em suas coxas
e me abrace, morna e delicadamente

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

para se ir


A vida é um jogo de dados, a vida é um jogo de dados, a vida é um jogo de dados...
E segurava uma garrafa de whisky meio vazia, e segurava forte contra o peito, enquanto repetia “a vida é um jogo de dados”.
Seus olhos ardiam depois de tantas lágrimas.
A superfície estática e calma do líquido âmbar dentro da garrafa lembrava um lago calmo e convidativo no qual mergulharia até o fim.
Nem o Marlboro vermelho e nem o joãozinho vermelho o salvariam do inevitável afogamento.